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Tablet aguenta queda, água, poeira e Angry Birds

Panasonic lança aparelho robustecido para trabalhadores que atuam em ambientes externos; no Brasil, empresa mira Pré-sal e Copa

Conhecida por sua linha de no­­tebooks robustecidos, os chamados toughbooks, a Panasonic quer levar a fama por aparelhos resistentes para o mercado de ta­­blets. Na última semana, a em­­presa apresentou o Toughpad, um tablet de 10 polegadas que promete aguentar quedas de mais de um metro de altura e temperaturas entre -10ºC e 50ºC, além de possuir tela resistente a água e poeira.

O Toughpad deve chegar ao Brasil em março do ano que vem, na mesma época em que será lançado nos Estados Unidos. O preço aqui ainda não foi definido, mas lá sairá por US$ 1,3 mil, valor bem acima dos principais concorrentes. A versão mais simples do iPad 2, líder absoluto no mercado, custa US$ 499.

O tablet da fabricante japonesa vem equipado com processador dual-core da Marvel, 1GB de RAM, 16GB de memória (expansível para 32GB por microSD), câmera frontal de 2 megapixel e traseira de 5 megapixel, entrada para USB e HDMI e tela com ca­­pa­­cidade de leitura sob o sol. Uma versão de 7 polegadas é prometida para o fim do ano que vem.

Ainda que possa despertar o interesse do consumidor final por causa de sua resistência, o aparelho da Panasonic foi feito pensado num público de nicho do mercado corporativo. A em­­presa mira segmentos que possuem número significativo de trabalhadores atuando em áreas externas, onde o risco de falha é significativo, como exércitos, go­­vernos, forças policiais e construção civil.

De acordo com o presidente da Panasonic Solutions Compa­ny, Rance Poehler, as oportunidades no Brasil se concentram principalmente na exploração do Pré-sal, na Copa do Mundo de 2014 e no uso do aparelho por forças da polícia. Sem informar o investimento exato feito pela empresa para a produção do ta­­blet ou a expectativa de vendas para o aparelho, Poehler disse apenas que a Panasonic gasta cerca de US$ 3 bilhões anualmen­te em pesquisa e desenvolvimen­to e que pretende vender "milhares de unidades do Toughpad em todo o mundo" no primeiro ano do aparelho no mercado.

Software

O tablet é o primeiro aparelho da empresa a contar com o sistema operacional Android (o 3.2, co­­nhecido como Honeycomb). Até então, toda a linha de toughbooks vinha equipado com o sistema operacional Windows. Ainda que o Android esteja bastante estabelecido no mercado de smartphones e tablets, há dú­­vida se as empresas que já trabalham com os laptops da Pana­sonic vão se interessar em fazer a migração para o tablet, uma vez que muitos dos aplicativos e softwares do Windows não são com­­patíveis com o Android.

Para contornar a situação, a Panasonic anunciou, junto com o Toughpad, uma loja de aplicativos voltada exclusivamente para soluções de negócios. O projeto será feito em parceria com desenvolvedores e pretende reunir diversos aplicativos empresariais. O produto terá uma opção para que a empresa possa controlar os aplicativos que poderão ser baixados pelo usuário final.

Segundo Poehler, a empresa vai atualizar o produto com as novas versões de Android que forem lançadas, ainda que essa não seja uma prioridade de seu público-alvo, de acordo com ele. "O mercado corporativo é mais conservador e costuma fazer essa mudança um tempo depois do lançamento das novas versões de sistemas operacionais", afirmou.

Uso de aparelhos por policiais é foco da empresa na América Latina

Na conversa com jornalistas da Amé­­rica Latina durante o evento de lançamento do Toughpad nos Estados Unidos, a Panasonic deixou claro que vai priorizar contratos com as forças de segurança pú­­blica dos principais países da re­­gião, entre eles o Brasil. Numa das apresentações, uma foto de um policial militar do Paraná ma­­nu­­seando um minicomputador do tipo U1 chegou inclusive a ser veiculada no telão, mas tanto a em­­pre­­sa como a PM estadual ne­­garam que um contrato já tenha sido fe­­chado para o uso do equipamento. A assessoria de imprensa da PM in­­formou que a polícia realiza testes periodicamente com diferentes aparelhos em busca de melhorar o serviço prestado pelos seus agentes.

Nos EUA, o uso de computadores nos veículos policiais é bastante comum. De acordo com a oficial Ken Jenkins, de 43 anos, que trabalha na polícia de Dallas, a grande vantagem do uso de eletrônicos conectados é a economia de tempo. "Com o GPS instalado, a central de atendimento tem uma noção exata de onde está cada carro e consegue deslocar os policiais com mais eficiência para atender as chamadas", diz.

O U1, modelo supostamente em teste pela PM do estado, é um aparelho um pouco menor do que um laptop, com tela sensível a toque e normalmente utilizado por policiais que atuam com mo­­tos nos EUA. O computador tem acesso à internet por 3G e Wi-Fi, GPS e pode ser configurado para acessar o banco de dados da polícia, dando agilidade às operações de checagem de histórico criminal, por exemplo.

Fonte: Gazeta do Povo